Cadernos de Pesquisa https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa <p>Publicação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMA</p> <p>Missão: é uma publicação trimestral do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e tem por objetivo a divulgação de trabalhos científicos originais, inéditos, multi/interdisciplinares, desde que sejam voltados para área de Educação, produzidos/as por pesquisadores desta Universidade e de outras instituições congêneres, nacionais e internacionais, a fim de possibilitar o intercâmbio científico e institucional.</p> <p>ISSN 2178-2229</p> <p>Periodicidade: Trimestral </p> <p><strong>Qualis/CAPES (2017-2020): A3 </strong></p> Universidade Federal do Maranhão pt-BR Cadernos de Pesquisa 2178-2229 <p>A Cadernos de Pesquisa está licenciada com a <a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional</a>.</p> <p><strong><a href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license"><img src="http://i.creativecommons.org/l/by/4.0/88x31.png" alt="Licença Creative Commons" /></a></strong></p> Novo Ensino Médio: o que revelam produções de 2017 a 2023 https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/24061 <p>O estudo aqui apresentado investiga o Estado do Conhecimento acerca do Novo Ensino Médio (NEM), examinando as produções de quatro renomados locais de publicação científica brasileira: o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), a biblioteca SciELO (Scientific Electronic Library Online) e a plataforma Educ@. O objetivo primordial é mapear e analisar as contribuições de teses, dissertações e artigos relacionados ao NEM no período de 2017 a 2023. A fundamentação teórico-metodológica deste estudo baseia-se em metodologistas que delineiam os procedimentos para a organização de pesquisas bibliográficas, comumente denominadas de Estado do Conhecimento, como Morosini e Fernandes (2014), Morosini, Nascimento e Nez (2021). Foram identificadas 554 produções sobre o tema, das quais 145 foram selecionadas e analisadas. Os resultados revelam uma variedade de interpretações na literatura, enfatizando a necessidade de um amplo diálogo sobre o futuro da educação no Brasil, de modo especial sobre o Ensino Médio. No contexto educacional, as reformas do NEM refletem tanto uma tentativa de modernização e melhorias quanto o atendimento às demandas do mercado de trabalho, como também a perpetuação de desigualdades e interesses neoliberais. Essas contradições são elementos intrínsecos ao desenvolvimento histórico e social, evidenciando a luta entre diferentes forças e interesses na sociedade. </p> Cléverson Alves Silva Marilene Ribeiro Resende Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 29 10.18764/2178-2229v32n1e24061 Extensão universitária e políticas públicas no Brasil: intersecções analíticas e dilemas pragmáticos https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25051 <p>Este artigo explora as interseções entre a extensão universitária no Brasil e o campo de discussões sobre políticas públicas de uma perspectiva conceitual. O objetivo é discutir duas dicotomias que organizam as concepções e práticas extensionistas brasileiras. A primeira remete ao papel da extensão: instrumento de disseminação do saber científico ou experiência cujo valor vai além do binômio ensino-pesquisa. A segunda remente à relação entre os diferentes tipos de saberes, o científico-universal, de um lado, e os saberes locais, de outro. Tais dicotomias são analiticamente exploradas por conceitos vindos das teorias de políticas públicas, principalmente os de comunidade e redes. Conclui-se que o atual processo de curricularização da extensão é o maior projeto de superação daquelas dicotomias históricas da universidade brasileira. </p> Daniel Estevão Ramos de Miranda André Dioney Fonseca Vanderleia Paes Leite Mussi Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 23 10.18764/2178-2229v32n1e25051 Diálogos entre a Psicanálise e a Psicologia Histórico-Cultural sobre o adoecimento psíquico: uma revisão integrativa https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25067 <p>Estudos recentes indicam um aumento significativo no adoecimento psíquico na contemporaneidade; portanto, é fundamental discutir e aprofundar os diálogos sobre saúde mental, visando práticas mais humanizadas. Nesse contexto, estudos interdisciplinares podem proporcionar compreensões mais abrangentes sobre os fatores que contribuem para o mal-estar. Considerando isso, buscou-se entre agosto e novembro de 2022, proceder a estudos sobre adoecimento psíquico que contemplassem os referenciais teóricos da Psicanálise e da Psicologia Histórico-Cultural. O intuito foi produzir uma revisão integrativa, ou seja, mapear as produções existentes sobre o assunto e apontar novos caminhos de investigação dialogando com as duas bases teóricas. Foram selecionados 21 estudos, os quais foram divididos em três categorias temáticas: Materialismo Histórico-Dialético e Psicanálise; Psicologia Histórico-Cultural e Psicanálise; e adoecimento psíquico na contemporaneidade. A análise da literatura científica revela que, embora a Psicanálise e a Psicologia Histórico-Cultural partam de pressupostos distintos, convergem na compreensão das origens do sofrimento. As condições materiais da realidade dos indivíduos, concretizadas na contemporaneidade pela lógica neoliberal criam um ambiente propício ao adoecimento psíquico. A precarização do trabalho, a fragilidade dos laços sociais e a cultura do desempenho exacerbam a sobrecarga emocional, intensificando a presença de sintomas. Assim, o diálogo entre a Psicanálise e a Psicologia Histórico-Cultural favorece a construção de análises mais integradas sobre o adoecimento psíquico, contemplando múltiplos fatores (sociais, culturais,<br />históricos, políticos, inconscientes e simbólicos). Em vez de responsabilizar os indivíduos por suas condições, esse movimento teórico contribui para uma visão crítica das adversidades e para a construção de formas mais humanizadas de existir. </p> Geovane dos Santos da Rocha Fabricio Duim Rufato Elisabeth Rossetto Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 22 10.18764/2178-2229v32n1e25067 Inclusão Escolar e Comunicação: percepções acerca da aprendizagem (que sempre acontece) https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25265 <p>O presente artigo tem por objetivo discutir a dimensão comunicacional envolvida no processo de aprendizagem de estudantes público-alvo da educação especial em sua relação com o currículo escolar a partir do contexto que envolve pessoas não alfabetizadas em etapas avançadas da escolarização. O estudo tem, como referencial teórico, o pensamento sistêmico, representado principalmente por Gregory Bateson (1985, 1986) e Francisco Varela e como principal questão orientadora: Como o corpo pode estar relacionado com uma dimensão comunicacional que estaria para além da leitura e da escrita como forma de compartilhar conhecimentos? Trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo que utiliza a técnica narrativa aliada à revisão de literatura para relatar episódios envolvendo 11 estudantes do ensino comum público dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e analisá-los por meio da metodologia de primeira pessoa. A análise indicou que a aquisição de uma língua tem sido considerada condição prévia para a aprendizagem dos conteúdos escolares, assim como identificou a tendência de não se considerar a relação estruturante entre os comportamentos individuais e os contextos de interação. Explorou-se a ideia da “palavra-imagem” como possibilidade didática de integrar diferentes formas de comunicação no processo de alfabetização no ensino comum, além de enfatizar que as experiências corporais e as emoções estão na base de todas as aprendizagens. </p> Gilvane Belem Correia Claudio Roberto Baptista Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 27 10.18764/2178-2229v32n1e25265 A percepção de familiares sobre a aprendizagem de estudantes do Ensino Fundamental, público-alvo da educação especial https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25200 <p>O artigo objetiva evidenciar a percepção de familiares sobre a aprendizagem de seus filhos, como público da Educação Especial, nos anos finais do Ensino Fundamental em escolas públicas estaduais do município de Belo Horizonte. Metodologicamente, trata-se de um estudo de caso, que se ancora em pesquisa de campo, a partir de entrevistas semiestruturadas com três familiares de estudantes público da Educação Especial da rede estadual do município em questão. Após transcritas, as entrevistas foram categorizadas e analisadas, utilizando-se para isto das seguintes categorias de análise: perfil dos familiares e dos estudantes, trajetória escolar e aprendizagem, serviços ofertados e serviços utilizados pelos alunos nas escolas, relação família e escola, expectativas familiares sobre a aprendizagem de seus filhos, conhecimento do familiar sobre direitos e legislações e sugestões da família. Os resultados apontam que os familiares entrevistados não se sentem contemplados com as práticas pedagógicas da rede. Considera-se indispensável que as escolas busquem parceria com as famílias e promovam não apenas o acesso, mas a permanência, a aprendizagem e a participação dos estudantes, rompendo com as desigualdades educacionais, sociais e patologização das diferenças. </p> Luciane de Cassia Santos Lopes Deolinda Armani Turci Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 22 10.18764/2178-2229v32n1e25200 Educação física escolar e transtorno do espectro autista: desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica para o auxilio pedagógico https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25302 <p>Diante da importância de estratégias inclusivas nas aulas de Educação Física Escolar, bem como da necessidade do planejamento direcionado para o processo inclusivo de crianças autistas, o objetivo deste estudo é desenvolver um aplicativo móvel para o direcionamento do fazer pedagógico do professor de Educação Física para a inclusão de crianças autistas na Educação Infantil. Sendo assim, propõe-se uma ferramenta tecnológica que auxilie o professor em seu planejamento associando os fatores cognitivos, afetivos e motores presentes na primeira infância. O aplicativo é estruturado de arquivos eletrônicos que permitem ao professor planejar suas aulas para proporcionar funcionalidade em suas atividades, tendo como diferencial a relação direta com a proposta pedagógica da Educação Física Escolar, definida pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Conclui-se que o aplicativo apresenta potencial para melhorar o planejamento e a execução de práticas pedagógicas mais inclusivas, além disto poderá contribuir para o desenvolvimento da cultura tecnológica nas aulas de Educação Física Escolar, estimulando a interação social e o engajamento nas atividades, contribuindo para a autonomia das crianças autistas da Educação Infantil. No entanto, o estudo limita-se ao desenvolvimento da ferramenta tecnológica, e neste sentido, sugere-se pesquisas futuras que possam testar a qualidade da funcionalidade na perspectiva do usuário por meio de um estudo piloto junto aos professores com o intuito de validar a capacidade de atender às expectativas e necessidades do usuário final de forma eficaz, eficiente e satisfatória. </p> Dimas Anaximandro da Rocha Morgan Jan Erik Mont Gomery Pinto Giuliani Paulineli Garbi Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 24 10.18764/2178-2229v32n1e25302 Saberes docentes sobre desfralde na Educação Infantil https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25138 <p>No Brasil, creches e pré-escolas se constituem em espaços institucionais de educação e cuidado das crianças de zero a cinco anos de idade. Nesses ambientes, crianças vivenciam o desfralde, entendido como marco de desenvolvimento caracterizado pela aquisição do controle dos esfíncteres e pela aprendizagem do uso social do banheiro. Nesse artigo, focalizamos saberes docentes de professoras de Educação Infantil sobre desfralde, considerando que é função dessas profissionais acompanhar as crianças nas experiências de deixar as fraldas. Trata-se de estudo de natureza qualitativa que teve como participantes oito docentes que responderam a questionários. Suas respostas apontam para a existência de saberes sobre desfralde que vão ao encontro da literatura, embora não se fundamentem explicitamente nela e que, por isso, precisam ser aprofundados para garantir o planejamento de práticas pedagógicas que acompanhem as crianças no desfraldar. Desta forma, fica evidente a necessidade de que tais saberes sejam abordados nos cursos de formação para docência na Educação Infantil. </p> Maévi Anabel Nono Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 21 10.18764/2178-2229v32n1e25138 Competências interculturais e ética na investigação científica com mulheres refugiadas: princípios e desafios para uma prática inclusiva https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25093 <p>O presente estudo aborda a relevância das competências interculturais na investigação científica com mulheres refugiadas, focando princípios éticos e metodológicos, assim como desafios para uma prática inclusiva. O principal objetivo é analisar como o desenvolvimento de competências interculturais promove uma investigação ética, inclusiva e sensível às especificidades culturais das participantes. Para tal, adotou-se uma abordagem qualitativa fundamentada na revisão da literatura sobre esta matéria, contemplando modelos de competência intercultural como os de Deardorff (2009) e de Bennett (2013), cujas abordagens pedagógicas fundamentam a sua<br />aplicação no contexto da investigação científica com mulheres refugiadas. Paralelamente, foram consideradas abordagens teóricas sobre comunicação e diálogo intercultural, o paradigma intercultural, a intersecionalidade e ética de representação, estabelecendo-se uma perspetiva crítica sobre dinâmicas de poder e representatividade. A análise evidencia que a adaptação cultural e a aquisição de competências interculturais é determinante para ultrapassar barreiras comunicacionais, estabelecer relações de confiança e evitar a reprodução de estereótipos<br />e desigualdades. Verifica-se que modelos teóricos oferecem ferramentas para a adaptação metodológica e ética na investigação com população etnocultural, promovendo um processo educativo que alerta para a importância de reconhecer e mitigar assimetrias de poder nas interações com as participantes. Conclui-se que a incorporação<br />de competências interculturais na investigação científica com mulheres refugiadas é fundamental para garantir a qualidade e a relevância dos resultados, permitindo uma interpretação mais precisa e contextualizada das narrativas. Esta abordagem não só previne o reforço de eventuais vulnerabilidades, como contribui para o avanço do<br />conhecimento científico e para o desenvolvimento de políticas públicas adequadas. </p> Catarina Isabel Silva de Sampaio Maria Natália Pereira Ramos Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 21 10.18764/2178-2229v32n1e25093 O confisco geral do corpo, do tempo, da vida: emancipar e formar brazilienses, brasilianos/as, brasileiros/as https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25229 <p>Como se deu o processo de independência do Brasil? Que relações foram estabelecidas entre os projetos de nação e os de formação das populações? Que iniciativas foram tomadas para consolidar a educação do povo na complexa experiência nacional? Ao sermos constante e permanentemente convocados a pensar os processos de libertação e autonomização e as relações com os projetos de formação e instrução das populações, nesse artigo retomo essas interrogações gerais para examinar aspectos da <br />planetarização do chamado “Sistema de Ensino Mútuo”, sua circulação e formas de implementação em solo nacional. Com esse recurso, procuro dar a ver projetos de formação e o tipo de emancipação que os mesmos encarnam, mas também os problemas e contornos que apresentam. Desse modo, pensar um sistema de formação no pós-independência, articula algumas iniciativas destinadas à escolarização, oferece certo esquadro para problematizar a transnacionalização da pedagogia do mutualismo, o que implica em reconhecer as complexas redes de relações de poder no Brasil emancipado e os debates que envolvem interesses divergentes no que diz respeito à urgência e necessidade de instruir brasilienses, brasileiros/as e brasilianos/as. </p> José Gonçalves Gondra Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 30 10.18764/2178-2229v32n1e25229 A organização do espaço escolar entre a disciplina anatômica e a libertação da criança na escola primária italiana (1860-1977) https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25690 <p>Esta contribuição – a partir da descrição das desastrosas condições materiais das salas de aula do ensino primário depois da Unificação da Itália – descreve o processo que conduz, através da intensificação do combate ao analfabetismo e do consequente aumento da população escolar, a uma crescente necessidade de regular o espaço e introduzir carteiras escolares. A partir deste momento, a carteira escolar foi submetida a um processo formal de codificação que foi realizado em sua produção industrial por empresas especializadas. Na primeira metade do século XX, a carteira escolar sofreu um processo formal de esclerotização que atrasou a sua adaptação a modelos estrangeiros mais inovadores, tanto funcional como esteticamente. Finalmente, após a Segunda Guerra Mundial, o surgimento de novos modelos pedagógicos baseados nos princípios do activismo e o crescente interesse demonstrado por os desenhadores industriais em mobiliário escolar criaram condições para uma profunda renovação de espaços de aprendizagem e uma superação das funções de disciplinamento anatómico anteriormente atribuídas à carteira escolar.</p> Juri Meda Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 20 10.18764/2178-2229v32n1e25690 A banda de música na Casa dos Educandos Artífices no Maranhão (1841-1889): da prática escolar à prática cultural https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25826 <p>Neste artigo resgata-se a trajetória da Banda de Música da Casa dos Educandos Artífices (CEA) (1841/1889) na Província do Maranhão, que surge como recolhimento de meninos desvalidos após Revolta da Balaiada, articulando-se práticas pedagógicas e educativas via instrução profissional com as práticas escolares que apontam para nova identidade institucional a partir de práticas culturais específicas. Analisa-se a escalada na formação musical, especificamente a instrumental, como matéria que orbita o currículo e o ofício de músico, para além das aulas de primeiras letras, de doutrina cristã, de noções de gramática nacional e de instrução mecânica direcionada à aprendizagem de ofícios: pedreiro, alfaiate, marceneiro, serralheiro e<br />tanoeiro. Entrecruzam-se os processos de criação/instalação da CEA e a instauração/desenvolvimento/auge da banda de música, com a caracterização/utilização do espaço e as atividades extraescolares dos alunos em formação musical, para além do fluxo de matérias e a organização do tempo escolar como unidades de<br />análise à luz de Norbert Elias e dos pressupostos teóricos-metodológicos da História Cultural. Abordam-se as relações de poder implícitas em ofícios e relatórios entre presidentes e inspetores da instrução pública, na atuação dos professores e nas leis e regulamentos que contribuem com a triangulação de dados para compreendermos a natureza da instrução profissional, as características da formação musical e as respetivas projeções de práticas escolares em práticas culturais que apontam para novas identidades. </p> Samuel Luis Velázquez Castellanos Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 29 10.18764/2178-2229v32n1e25826 A censura de textos e de livros: diferentes contextos, modos de censurar e de resistir https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25186 <p>O artigo analisa o tema da censura, problematizando sua natureza, seus desdobramentos legais e semânticos, assim como o modo como as diferentes acepções de censura são operacionalizados em ações materiais e simbólicas. O trabalho dialoga com estudos como os de Robert Darnton, que discute a complexidade de definição da censura e faz uma etnografia da censura na França dos Bourbon (século XVIII), na Índia Britânica com o controle dos colonizadores (século XIX e início do XX) e na Alemanha oriental comunista em tempos de guerra fria (século XX). Também se estabelece um diálogo com investigações feitas no Brasil, por Abreu (2003), sobre a mesa censória no Brasil colônia e por Paiva (1996) que pesquisou a censura católica a romances no início do século XX. Para análise da atualidade, o artigo repercute matérias jornalísticas sobre o tema da censura, indicando fenômenos culturais e sociais que levam à “queima” de obras contemporâneas e indica algumas novas formas de controle na sociedade digital. O estudo conclui que a censura é contraditória, representa interesses e regimes de verdade, ao mesmo tempo em que há maneiras de resistir, tanto judicial<br />como culturalmente aos seus efeitos. Dessa forma, o interesse dos censores ou dos regimes entra em confronto com os próprios leitores, com a diversidade de formas de divulgar os textos, com o mundo dos editores e com os diversos sistemas de verdade. </p> Isabel Cristina Alves da Silva Frade Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 25 10.18764/2178-2229v32n1e25186 A transposição do Método Castilho de Portugal para o Brasil https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25964 <p>Este artigo tem o objetivo de analisar a circulação do método Castilho no Brasil, em dois territórios, o pedagógico e o educativo. O primeiro é compreendido como aquele em que a ideia sobre a proposta educativa circulou; e o segundo, onde o mesmo foi adotado. Para a sua escrita, recorremos à imprensa, relatório de inspetores da instrução pública e, principalmente, às cartas trocadas entre o poeta português e Gonçalves Dias com o imperador Pedro II, tratando da Leitura Repentina. Um dos resultados, deste estudo é que o Método de Castilho foi adotado em vários territórios educativos, em especial na Província de Pernambuco e no Município Neutro, Rio de Janeiro, pelo quantitativo dos professores que ministraram aulas e abriram escola em vista dessa proposta pedagógica. Concluímos que os debates<br />sobre os processos de ensino no Brasil no oitocentos, as maneiras pelas quais ocorreu a transposição de modelos pedagógicos de outros países, no caso particular, do Método Castilho, e as disputas entre os seus defensores e críticos são campos férteis de estudos a serem realizados pelos historiadores da educação de Portugal e do Brasil. </p> Cesar Augusto Castro Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 28 10.18764/2178-2229v32n1e25964 Histórias de leitores improváveis: séculos XIX e XX https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/24943 <p>O artigo tem como principal objetivo analisar, com base em quatro diferentes casos, como indivíduos e grupos sociais tornaram-se leitores(as), apesar de marcados por pertencimentos que, nos contextos em que viveram - séculos XIX e XX no Brasil -, teriam pouca probabilidade de alcançar essa condição. Operando com a noção de “jogos de escalas”, a análise baseia-se, predominantemente, em pesquisas realizadas anteriormente e em dados secundários. Apoia-se em referenciais da História Cultural e da História da Cultura Escrita. Os casos analisados mostram a relevância de algumas instâncias para que a “improbabilidade” ocorresse, como escola, família, cidade, trabalho, religião e movimentos sociais. Revelam, ainda que, embora tendam a predominar, entre os “leitores improváveis”, usos pragmáticos da leitura, também estão presentes a fruição estética e literária. Evidenciam, por fim, que a mudança na escala de observação na análise realizada permitiu confirmar e, ao mesmo tempo, complexificar o que outros estudos têm constatado. </p> Ana Maria de Oliveira Galvão Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 25 10.18764/2178-2229v32n1e24943 “Como era a formação de professores com estes materiais científicos?”: conhecimento escolar, experiência, autoformação na cidade de São Paulo (1878-1931) https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25384 <p>O objetivo do texto é apresentar como era a formação de professores em ciências naturais, primordialmente na disciplina de Física, a partir do uso de materiais científicos (instrumentos, maquinários, aparatos), por meio da prática da demonstração. O estudo está amparado pelo pensamento de Tardif (2014), que pensa sobre os variados caminhos praticados pelos docentes na conquista de saberes e estabelecer um processo racional de formação, seja por vias da escolarização, seja por ações criativas constituídas ao longo de sua experiência profissional. O texto é o resultado de estudos de documentos e pela análise da bibliografia<br />pertinente a uma história da educação em ciências localizada na cidade de São Paulo. No caso deste artigo, resulta que a formação de professores por meio do uso de artefatos científicos acontecia pela mediação dada pelos próprios instrumentos, entre a teoria e a prática, destacando o conhecimento tácito e gestual, fomentado pelos livros didáticos, catálogos de venda e contato com as empresas construtora desses materiais. </p> Katya Braghini Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 24 10.18764/2178-2229v32n1e25384 Brincadeiras e jogos na revista infantil O Tico-Tico (década de 1950) https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25669 <p>O artigo examina o entrelaçamento entre práticas escolares e práticas culturais por meio da análise das edições da revista infantil O Tico-Tico, publicadas em sua fase final, na década de 1950. Lançado pela editora O Malho no Rio de Janeiro, então capital federal, este periódico circulou nacionalmente entre 1905 e1962, com o objetivo declarado de contribuir para a educação da infância. Valendo-se dos elementos textuais e visuais dispostos para orientar a compreensão dos jovens leitores, a revista é analisada como espaço discursivo que permite discutir o imbricamento entre práticas escolares e culturais, isto é, como objeto de conhecimento e de entretenimento, como produtor de sentidos e como produto de uma sociedade. A análise abrange dispositivos editoriais e diferentes seções, tais como, histórias em quadrinhos, jogos, atividades lúdicas e pedagógicas enfatizando sua contribuição para a formação do comportamento infantil e a transmissão de valores idealizados pelos adultos por meio de práticas educacionais e culturais, frequentemente interligadas. O estudo aponta que a fidelidade da revista às características e aos valores que marcaram sua trajetória foi decisiva para sua longevidade de mais de cinco décadas, mas também contribuiu para seu declínio, ao não acompanhar plenamente as transformações sociais e culturais do período. </p> Vera Teresa Valdemarin Denis Domeneghetti Badia Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 21 10.18764/2178-2229v32n1e25669 Educação racista e sentidos de inferioridade nas políticas educacionais latino-americanas (séculos XIX-XX) https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25011 <p>O artigo problematiza a divisão racial da educação na América Latina como educação racista. Discute os sentidos de inferioridade possibilitados pela oferta desigual de escolarização, no âmbito das políticas educacionais latino americanas destinadas as populações pretas e indígenas. O recorte temporal, meados do século XIX e início do século XX, refere-se ao período histórico de organização das nações independentes, de elaboração das constituições, de abolição da escravização da população afro-latino americana e de suspensão do pagamento do tributo indígena. Nesse contexto houve intenso debate sobre qual escolarização deveria ser direcionada para essas populações, bem como o estabelecimento de políticas educacionais para a institucionalização da escola pública, levado a cabo pelos governantes. A pesquisa histórica é realizada em países latino americanos, com fontes documentais, tais como, legislação, livros de época e impressos, em<br />diálogo com o campo conceitual da história decolonial, desenvolvido principalmente por Aníbal Quijano (2005, 2014), a partir dos conceitos de divisão racial do trabalho e de colonialidade do poder. Analisa-se ainda a elaboração do entendimento de sentidos de inferioridade, tal qual discutido por Norbert Elias e John Scotson (2000), no conceito da figuração estabelecidos e outsiders. Destaca-se que a longevidade da educação racista como colonialidade do poder contribuiu fortemente para a inferiorização da população preta e indígena, com repercussão nos dias atuais. </p> Cynthia Greive Veiga Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 27 10.18764/2178-2229v32n1e25011 As escolas como espaços de produção, negociação, resistência e rebelião: um olhar a partir da história da educação rural na América Latina https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25823 <p>O objetivo do artigo é analisar até que ponto e como a escola pode ser emancipatória ou reprodutiva, a partir do exame do caso da escolarização rural e das pedagogias rurais desenvolvidas na América Latina durante a primeira metade do século XX. O ponto de partida é analisar como a escola se relaciona com a modernização, a formação e consolidação dos estados nacionais e a governança internacional, numa série de negociações, resistências, apropriações e lutas dos atores nela envolvidos, especialmente a população rural. Embora a escola rural, como parte do sistema educacional, tenha contribuído para fortalecer a hegemonia dos grupos dominantes, ao mesmo tempo permitiu a agência de diferentes setores importantes da população rural, como muitas mulheres, que encontraram na escola novas opções de vida. Longe de aceitar a narrativa<br />das elites educacionais vs. índios resistentes, o que vemos é um processo dinâmico e complexo em que a<br />narrativa do camponês como um setor triste e atrasado não foi plenamente aceita pelos usuários da escola, que se apropriaram seletivamente da presença da escola rural para seus próprios fins. </p> Alicia Civera Cerecedo Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 26 10.18764/2178-2229v32n1e25823 Palavras impressas, heterogeneidade e resistências em América Latina: uma reflexão teórica e metodológica https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25824 <p>Este artigo apresenta elementos teóricos e metodológicos destinados a estudar a relação entre palavras impressas e heterogeneidade social e cultural na América Latina. O foco está em publicações periódicas. O objetivo é captar a heterogeneidade com ferramentas teóricas e metodológicas atentas a esse objeto de estudo. A intenção que norteia o desenvolvimento dos argumentos é a abordagem do estudo da heterogeneidade a partir da própria heterogeneidade. Neste caso, trata-se de traçar a heterogeneidade nos discursos institucionalizados, nas histórias de atores relegados ou invisíveis e nas proclamações de vanguarda cultural presentes nas revistas publicadas durante a primeira metade do século XX. O artigo apresenta alguns casos históricos de publicações periódicas do contexto latino-americano que, a título de exemplo, sustentam o sentido da abordagem proposta.</p> Silvia Finocchio Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 18 10.18764/2178-2229v32n1e25824 Apresentação - Dossiê Lugares de resistências, saberes e práticas escolares na História da Educação https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/26048 Samuel Luis Velázquez Castellanos Cesar Augusto Castro Copyright (c) 2025 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-03-24 2025-03-24 1 5