Perfil epidemiológico de pessoas com doença falciforme e úlcera de perna

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Mots-clés :

Epidemiologia Descritiva, Úlcera da Perna, Doença Falciforme, Hemoglobinopatias, Enfermagem

Résumé

Introdução: A Doença Falciforme é uma condição genética hereditária, responsável por crises de dor e úlceras da perna, causadas por modificações nos glóbulos vermelhos. Para o controle de morbidade, o país conta com políticas de monitoramento e a recente notificação compulsória da doença. Objetivo: Caracterizar o perfil clínico-epidemiológico de pessoas com doença fal-ciforme e úlceras da perna. Método: Estudo de corte transversal com abordagem quantitativa, realizado com pacientes assistidos em ambulatório de hematologia de um Hemocentro, no município de Belém/Pará. Resultados: O sexo feminino prevaleceu (66,7%), a distribuição etária foi equitativa entre 22 a 41 anos. No âmbito socioeconômico, observou-se paridade nas variáveis de estado civil, autodeclaração étnica (50,0% pardos e 50,0% pretos) e procedentes da Região Metropolitana de Belém e Interior. A escolaridade concentrou-se no ensino médio completo (49,8%), com renda familiar de até um salário-mínimo. Clinicamente, a maioria apresentou o fenótipo SS (83,3%), manifestando crises álgicas e icterícia como sintomas prevalentes, além de úlceras da perna com cronicidade superior a seis meses. Constatou-se uma elevada taxa de complicações multissistêmicas (hepáticas, biliares e renais), além de 100% de abstenção do uso de hidroxiureia e apenas 33,3% sob regime de transfusão crônica. Conclusão: O perfil demonstrou pacientes jovens, a maioria mulheres, pardas, com baixa renda e escolaridade, enfrentando bar-reiras socioeconômicas e geográficas no acesso ao tratamento. A maioria apresentava fenótipo SS, crises álgicas e danos a órgãos, com úlceras crônicas de etiologia espontânea, baixa utilização de hidroxiureia e adesão parcial à transfusão crônica, com impacto significativo na qualidade de vida.

Palavras-chave: Epidemiologia Descritiva. Úlcera da Perna. Doença Falciforme. Hemoglobinopatias. Enfermagem.

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Publié-e

2026-03-11

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