Memória, cultura e identidade: a leitura literária na promoção de diálogos para a diversidade
DOI:
https://doi.org/10.18764/2526-6160v24n1e24231Palavras-chave:
mediação de leitura, educação antirracista, diversidadeResumo
A violência colonial produzida na formação do Brasil normatizou subjetividades que perduram no imaginário coletivo do povo brasileiro. A imposição das formas de vida enquanto pessoa preta foi determinada pelo colonizador, entretanto, esta imposição vem sendo reformulada pelas próprias pessoas pretas que tomam posse de suas narrativas e de seu direito de dizer o que e como são. Assim, este artigo objetiva discutir as potencialidades da leitura literária de narrativas afro-referenciadas e como estas contribuem para a construção de memórias positivadas. Conceituando leitura literária, educação antirracista e afro-centrada, “desterritorialização” ou “deslocamento” provocados pela interrelação com a literatura, a partir dos estudos de Petit (2013), Saldanha e Alencar (2022), Cuti (2010) e Carine (2023). Partindo da questão “Como a leitura literária afro-centrada contribui na construção de memórias e identidades a partir de diálogos sobre pertencimento étnico-racial?”, propõe-se a sistematização para mediação de leitura do título Julian é uma sereia, da autora Jessica Love. Metodologicamente, a pesquisa define-se como social, com delineamento exploratório e descritivo, utilizando pesquisa bibliográfica como procedimento técnico, apresentando as seções de introdução; leitura literária e os deslocamentos de si; a mediação do texto literário na construção de memória e identidade; as potencialidades em Julian é uma sereia e conclusões possíveis. Concluindo que a leitura literária é um veículo latente que promove diálogos sobre a relação memória-identidade, afirmando a pluralidade e as potencialidades de ser e existir enquanto pessoa preta e ampliando repertórios éticos e estéticos dos leitores que enveredam por narrativas que transgridem a hegemonia colonial.
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