A farmácia de plantas medicinais e fitoterápicos para doenças comuns nas crianças pequenas nas comunidades quilombolas
DOI:
https://doi.org/10.18764/2526-6160v24n1e25309Palavras-chave:
cultura da saúde , plantas medicinais, fitoterápicos , saúde da criança , QuilombosResumo
Neste artigo se apresenta e discute o cuidado da saúde nas comunidades quilombolas do Brasil, especialmente o uso de plantas medicinais específicas para doenças comuns nas crianças pequenas. As comunidades quilombolas surgem no
século XVII, criadas por afro-descendentes fugidos da escravização colonial. Os Quilombos são espaços de resistência política, cultural e física. Neste cenário se desenvolve uma cultura especial de cuidado da saúde e do corpo da população
quilombola, incluindo o tratamento com plantas medicinais das doenças comuns nas crianças pequenas: infecções respiratórias e diarreias. Esta farmácia específica para as crianças expressa bem a potência das culturas de resistência para a construção de conhecimento e de tecnologia para o cuidado da saúde. Esta farmácia pode garantir autonomia parcial ou total da indústria farmacêutica pelos quilombolas. A coleta de dados ocorreu em junho de 2024 nas bases de dados LILACS, PUBMED e SCOPUS com os seguintes termos e suas variantes: “plantas medicinais”, “Quilombos” e “doenças de crianças”. A escolha dos termos ocorreu através de consulta nos Descritores em Ciências da Saúde (DECs) e definida através da elaboração e de testes das estratégias de buscas. Durante os testes, ao acrescentar outros termos como fitoterápicos, não foram recuperados registros nas bases selecionadas e, sendo assim, não foram incluídos na estratégia. Conclui-se que a cultura de resistência dos Quilombos é fonte possível de uma cultura de cuidado da saúde autônoma da indústria farmacêutica e do complexo médico-hospitalar.
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