A organização do espaço escolar entre a disciplina anatômica e a libertação da criança na escola primária italiana (1860-1977)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18764/2178-2229v32n1e25690

Palavras-chave:

ensino primário, cultura material, espaço de aprendizagem, disciplina, Itália

Resumo

Esta contribuição – a partir da descrição das desastrosas condições materiais das salas de aula do ensino primário depois da Unificação da Itália – descreve o processo que conduz, através da intensificação do combate ao analfabetismo e do consequente aumento da população escolar, a uma crescente necessidade de regular o espaço e introduzir carteiras escolares. A partir deste momento, a carteira escolar foi submetida a um processo formal de codificação que foi realizado em sua produção industrial por empresas especializadas. Na primeira metade do século XX, a carteira escolar sofreu um processo formal de esclerotização que atrasou a sua adaptação a modelos estrangeiros mais inovadores, tanto funcional como esteticamente. Finalmente, após a Segunda Guerra Mundial, o surgimento de novos modelos pedagógicos baseados nos princípios do activismo e o crescente interesse demonstrado por os desenhadores industriais em mobiliário escolar criaram condições para uma profunda renovação de espaços de aprendizagem e uma superação das funções de disciplinamento anatómico anteriormente atribuídas à carteira escolar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Juri Meda, Universidade de Macerata

Professor de História da Educação na Universidade de Macerata (Itália). Foi membro do Conselho de Administração da Sociedade Italiana de História da Educação (CIRSE) durante dois mandatos e secretário da Sociedade Italiana para o Estudo do Patrimônio Histórico-Educativo (SIPSE). Atualmente é membro do Conselho de Administração da Conferência Permanente Internacional para a História da Educação (ISCHE) e presidente do Istituto Storico della Resistenza e dell’Età Contemporanea «Mario Morbiducci» de Macerata.

Referências

ALATRI, G. Uma vida para educar, entre arte e socialidade: Alessandro Marcucci (1876-1968). Unicopli: Milão, 2006.

ALATRI, G.; MAINO, MP. (ed.). Alessandro Marcucci. Disegni e arredi tra Balla e Cambellotti. Catalogo della mostra (Galleria Simone Aleandri Arte Moderna – Roma, 18 ottobre-31 novembre 2015). Edizioni Officine Vereia: Roma, 2015.

BARNI, G. Novo modelo de banco escolar portátil. Bemporad: Florença, 1925.

BENCI, P. A carteira escolar na escola primária. Tipografia Salvini: Florença, 1912.

CAPPELLETTI, G. School Architecture and Furniture in Italy, 1950-1970. In: Paciaroni, L. The School and Its Many Pasts: The Different Types of School Memory. EUM: Macerata, 2024, pp. 181-190.

CASCIANI, S. Casciani, S., Arte industriale: gioco oggetto pensiero. Danese e la sua produzione. Arcadia: Milano, 1988.

CERULLO, C; LONGONI, M; ZANUTTINI, R. Legno-sughero-arredo: guida alla normativa tecnica. Lampi di Stampa: Milano, 2004, pp. 245-247.

DÁVILA BALSERA, P.; NAYA GARMENDIA, L. M. La “señal”, um objeto da escola disciplinada e da pedagogia do silêncio. Cabás, n. 30, 2023, p. 19-36.

DE GIORGI, F., Il banco di scuola. In: Tra banchi e quaderni, Barbieri: Manduria, 2005, pp. 13-16 (cit. p. 13).

DE GIORGI, F. Appunti sulla storia del banco scolastico. Rivista di Storia dell’Educazione, n. 1, 2014, pp. 85-98.

DI BIASIO, S. Da “sedere compostamente” a “stare comodamente”: l’esperienza delle scuole dell’Agro Romano e Pontino come laboratorio sulla storia del banco scolastico. In: ASCENZI, A.; COVATO, C.; ZAGO, G. (eds.). Il patrimonio storico-educativo come risorsa per il rinnovamento della didattica scolastica e universitaria: esperienze e prospettive, Eum: Macerata, 2021, pp. 465-478.

DUSSEL, I., CARUSO, M. A invenção da sala de aula: Uma genealogia das formas de ensino. Santillana: Buenos Aires, 1999.

FENAROLI, G.E., Palini Legno. Protagonista indiscussa dell’arredo scolastico nel ’900. Auser Cultura Edizioni: Pisogne, 2023.

FOUCAULT, M. Sorvegliare e punire: nascita della prigione. Einaudi: Turim, 1976.

LATINO, E., Le malattie della scuola e la riforma igienica degli arredi scolastici. Paravia: Torino, 1884, pp. 25-26.

LODI, M. C’è speranza se questo accade al Vho. Edizioni Avanti!: Milão, 1963.

LODI, M. Il paese sbagliato. Einaudi: Torino, 1970, p. 21.

MAINO, M. P. A misura di bambino: cent’anni di mobili per l’infanzia in Italia, 1870-1970. Laterza: Roma-Bari, 2003.

MARCARINI, M. Gli spazi della scuola: le proposte rivoluzionarie dell’attivismo nell’organizzazione degli spazi educativi e le ricadute successive. Formazione, Lavoro, Persona (revista digital), v. 4, n. 10, abr., 2014, pp. 143-165.

MAURER; D. Il design per la scuola. In: FERRARI; M. (ed.). Di ogni ordine e grado: l’architettura della scuola. Rubbettino: Soveria Mannelli, 2015, p. 75-85.

MEDA, J. Mezzi di educazione di massa. Saggi di storia della cultura materiale della scuola tra XIX e XX secolo. FrancoAngeli: Milão, 2016.

MEDA, J.; POLENGHI, S. The Impossible Schools: Rural Classrooms in the Paintings of Italian Artists during the Second Half of the Nineteenth Century. In: COMAS RUBÍ, X.; PRIEM, K.; GONZÁLEZ GÓMEZ, S. (eds.). Media Matter: Images as Presenters, Mediators, and Means of Observation. De Gruyter: Berlin, 2021, pp. 203-224.

MEDA, J. Génesis y evolución de los materiales escolares en Italia a finales del siglo XIX. In: Escolano Benito, A.; CAMPOS ALVA, E.L. Cultura escolar y patrimonio histórico educativo México-España. Sociedad Mexicana de Historia de la Educación: México, 2022, pp. 367-389.

MEDA, J.; PACIARONi, L. Miedo y vergüenza: breve historia de dos emociones escolares (Italia, siglo XX). In: PIMENTA ROCHA, H.H.; TORO BLANCO, P. Infância, juventude e emoções na história da educação. Fino Traço: Belo Horizonte, 2022b, p. 167-199.

MEDA, J.; PACIARONI, L.; SANI R. (eds.). The School and Its Many pasts, 2024a. Disponível em: https://eum.unimc.it/it/catalogo/857-the-school-and-its-many-pasts

MEDA, J. Mario Lodi, il maestro che cominciava dai bambini. In: SILVESTRI, L.; DI BIASIO S. (eds.). Maestre e maestri della ricostruzione. Una nuova scuola nell’Italia tra dopoguerra e boom economico, Mondadori: Milão 2024b, pp. 139-163.

MENEGUZZO, M. Bruno Munari. Laterza: Bari, 1993.

MONTESSORI, M., Il metodo della pedagogia scientifica applicato all’educazione infantile nelle Case dei Bambini. Lapi: Città di Castello, 1909.

MONTESSORI, M. La costruzione della personalità attraverso l’organizzazione dei movimenti. Montessori, n. 6, nov./dez.1932, pp. 323-329.

ORENGO, E., Dell’edifizio scolastico, dell’arredamento e del banco in particolare, Tipografia De Maria: Torino, 1877.

TOSCANI, X. Alfabetismo e scolarizzazione dall’Unità alla Guerra mondiale, In: PAZZAGLIA, L. (ed.), Cattolici, educazione e trasformazioni socioculturali in Italia tra Otto e Novecento. La Scuola: Brescia, 1999, pp. 283-340.

VERSTRAETE, P. Lessons in Silence: Power, Diversity and the Educationalisation of Silence. DiGeSt. Journal of Diversity and Gender Studies, v. 3, n. 2, 2016, pp. 59-74.

VERSTRAETE, P. The silent child: Reform pedagogy, the self and the problematization of shyness in the classroom. Historia y Memoria de la Educación, n. 15, 2022, pp. 297-321.

Publicado

2025-03-24

Como Citar

MEDA, Juri.
A organização do espaço escolar entre a disciplina anatômica e a libertação da criança na escola primária italiana (1860-1977)
. Cadernos de Pesquisa, p. 1–20, 24 Mar 2025 Disponível em: https://cajapio.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/25690. Acesso em: 4 abr 2025.

Edição

Seção

Dossiê:Lugares de resistências, saberes e práticas escolares na História da Educ