A banda de música na Casa dos Educandos Artífices no Maranhão (1841-1889): da prática escolar à prática cultural
DOI:
https://doi.org/10.18764/2178-2229v32n1e25826Palavras-chave:
instrução infantil, banda de música, Casa dos Educandos Artífices, instituição escolar, Maranhão ImpérioResumo
Neste artigo resgata-se a trajetória da Banda de Música da Casa dos Educandos Artífices (CEA) (1841/1889) na Província do Maranhão, que surge como recolhimento de meninos desvalidos após Revolta da Balaiada, articulando-se práticas pedagógicas e educativas via instrução profissional com as práticas escolares que apontam para nova identidade institucional a partir de práticas culturais específicas. Analisa-se a escalada na formação musical, especificamente a instrumental, como matéria que orbita o currículo e o ofício de músico, para além das aulas de primeiras letras, de doutrina cristã, de noções de gramática nacional e de instrução mecânica direcionada à aprendizagem de ofícios: pedreiro, alfaiate, marceneiro, serralheiro e
tanoeiro. Entrecruzam-se os processos de criação/instalação da CEA e a instauração/desenvolvimento/auge da banda de música, com a caracterização/utilização do espaço e as atividades extraescolares dos alunos em formação musical, para além do fluxo de matérias e a organização do tempo escolar como unidades de
análise à luz de Norbert Elias e dos pressupostos teóricos-metodológicos da História Cultural. Abordam-se as relações de poder implícitas em ofícios e relatórios entre presidentes e inspetores da instrução pública, na atuação dos professores e nas leis e regulamentos que contribuem com a triangulação de dados para compreendermos a natureza da instrução profissional, as características da formação musical e as respetivas projeções de práticas escolares em práticas culturais que apontam para novas identidades.
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Referências
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