CHAMADA TEMÁTICA N.º 57: Religião e Economia
CHAMADA TEMÁTICA N.º 57: Religião e Economia
APRESENTAÇÃO
A religião e a economia sempre co-existiam, em todas as sociedades e culturas. No entanto, foi o Adam Smith que escreveu como primeiro sobre o funcionamento da religião dentro de um sistema de concorrência, igual àquela promovida por ele entre os atores do mercado econômico, constatando que as instituições religiosas pareciam mais vigorosas se separadas do Estado e seus subsídios, tendo que aprender a lutar sozinhas por sua sobrevivência e expansão. Karl Marx enxergou a função legitimadora da religião na preservação da ordem socioeconômica do capitalismo selvagem e no processo da “deificação” da mercadoria - a célula nuclear do modo de produção capitalista, tratada como fetiche com poderes sobrenaturais. Max Weber, descrevendo o papel decisivo do protestantismo calvinista no desenvolvimento do sistema capitalista, confirmou a justaposição das realidades religiosa e econômica, que influenciam-se mutuamente, moldando atitudes humanas sobre a ética do trabalho, o dinheiro, a santidade e a salvação. Mais tarde, Peter L. Berger (1967) descreveu como as instituições religiosas tornam-se “agências de marketing” e as tradições religiosas – “mercadorias de consumo”, aplicando na sua pesquisa sobre religião termos econômicos como “consumidores”, “clientes”, “empreendedores” e “linhas de produtos” oferecidos por “firmas religiosas”, que aproveitam de várias estratégias para entrar e expandir a sua oferta no mercado religioso. Convidamos para este dossiê temático os pesquisadores que queiram mergulhar neste mundo fascinante de impactos mútuos entre os dois campos, do sacrum e do profanum, que dificilmente podem ser separados. Aguardamos os resultados das pesquisas do campo e bibliográficas, históricas e contemporâneas, todas inéditas, para pensarmos sobre as diversas formas da incidência recíproca da religião e economia. Alguns dos temas que possam ser abordados incluem, por exemplo: trabalho assistencial, Teologia da Prosperidade, capitalismo como religião, relação entre o comunismo e religião, economia de Francisco e Clara, funcionamento das instituições religiosas: igreja empresa, fundações caritativas, associações de gestão das doações dos fiéis, análises dos mercados religiosos.
PRAZO DE SUBMISSÃO DE ARTIGOS:
31/7/2026
BIBLIOGRAFIA
BERGER, P. (1967). The Sacred Canopy. New York: Doubleday.
MARX, K, (1867/2014) Das Kapital I, Otto Meissner: Hamburgo, Alemanha/O capital, Livro I. São Paulo: Boitempo.
SMITH, A. (1776/1937). The Wealth of Nations. New York: The Modern Library.
STARK, R., W. S. BAINBRIDGE (1987;2008) Uma teoria da religião, São Paulo: Paulinas, 2008.
WEBER, M., (1904-1905/1930), Die protestantische Ethik und der Geist des Kapitalismus/The Protestant ethic and the spirit of capitalism, trad. Talcott Parsons, GB: Allen and Unwin.
PROPONENTES
Renata Siuda-Ambroziak
Doutora em filosofia social (2012) e pós-doutora em sociologia (2018). Professora associada da Universidade de Varsóvia, Instituto das Américas e Europa. Editora chefe da Revista del Cesla. International Latin American Studies Review (Qualis A2). Bolsista no Brasil pela União Europeia, CAPES, FAPESP, FAPEG, professora e pesquisadora visitante no Brasil (PUC-SP, UFSC, UERJ, UEG, USP, UEM, UFSM, UFBA). Especializa-se em temas relacionados com a religiao no Brasil.
Flávio Munhoz Sofiati
Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2009). Professor Associado de Sociologia da Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Ciências Sociais, Programa de Pós-graduação em Sociologia. Membro do Observatório Juventudes na Contemporaneidade e do Núcleo de Estudos de Religião “Carlos Rodrigues Brandão”. Pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.






