Pedagogias Ancestrais para o Bem Viver: uma tecitura transcultural sociopoética

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.18764/2358-4319v18e26316

Mots-clés :

Pedagogias Ancestrais, Bem Viver, sociopoética

Résumé

A humanidade, mergulhada em uma doença educacional profunda, assiste à destruição dos equilíbrios necessários à vida na Terra. Espécies desaparecem, recursos se esgotam, povos são explorados, tudo alimentado pela educação que valoriza competição, individualismo e visão curta. A escola, cúmplice dessa tragédia, precisa rever seus princípios. Mas há remédios. Povos ancestrais, com a Terra no centro de suas cosmologias, ensinam o Bem Viver, a vida em plenitude, na qual educar a juventude é resgatar a harmonia perdida. É necessário compreender que reexistir é mais que resistir; é afirmar a vida. Neste artigo, refletimos o que buscamos aprender com os Guarani e o xamanismo. Entendemos que pedagogias ancestrais, como a sociopoética, surgem como práticas educativas que, em vez de uniformizar, celebram a singularidade e o enraizamento nas ancestralidades. O artigo tece vozes, trajetórias e aprendizados, propondo uma educação que, em vez de disciplinar, convida à Vida em Plenitude, onde corpo, mente e espírito dançam na teia do Bem Viver, escapando das amarras coloniais.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Bibliographies de l'auteur-e

Reinaldo Matias Fleuri, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutor em Educação (Unicamp). Professor permanente no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH/UFSC). Coordena o Grupo de Pesquisas "Viver em Plenitude: Educação Intercultural e Movimentos Sociais" (UFSC/CNPq), que mobiliza a "Rede Mover". Faz parte do Instituto Paulo Freire. É Pesquisador Sênior do CNPq e coordena o Projeto Integrado de Pesquisa "Educação intercultural: viver, conviver e gerar Vida em Plenitude" (UFSC/CNPq).

Jacques Moendy Gauthier, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutor em Educação (Universidade de Paris 8). Mestre em Filosofia (Universidade de Besançon). Professor-pesquisador aposentado pelo Ministério da Educação Nacional (França). Pesquisador associado ao Projeto Integrado de Pesquisa "Educação intercultural: viver, conviver e gerar Vida em Plenitude" (UFSC/CNPq, 2022-2027).

Références

ACOSTA, Alberto. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. Tradução de Tadeu Breda. São Paulo: Editora Elefante; Fundação Rosa Luxemburgo, 2019.

AGOSTINHO. Confissões. Trad. De J. Oliveira Santos, S.J. e A. Ambrósio de Pina, S.J.. São Paulo: Victor Civita, 1973. (Livro III, Capítulo 6, seção 11). Coleção Os Pensadores, vol. VI.

BISPO DOS SANTOS, A.; PEREIRA, S. A Terra dá, a Terra quer. São Paulo: Ubu Ed./PISEAGRAMA, 2023.

MORIN, Edgar; CASSÉ, Michel. Filhos do Céu: Entre Vazio, Luz e Matéria. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

CLASTRES, Pierre. A Sociedade contra o Estado: Pesquisas de Antropologia Política. Tradução de Theo Santiago. São Paulo: Cosac Naify, 2003.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.

FLEURI, Reinaldo Matias; GAUTHIER, Jacques, GRANDO, Beleni Salete. Uma pesquisa sociopoética. Florianópolis: NUP/CED/UFSC, 2001.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.

GAUTHIER, Jacques. O Oco do Vento: metodologia da pesquisa sociopoética e estudos transculturais. Curitiba: Editora CRV, 2012.

GAUTHIER, Jacques (coord.). A Borboleta Cuidamor Ambiental – uma pesquisa sociopoética herética com medicinas indígenas e leitura de inspiração guarani dos dados de pesquisa. Recife: UECE, 2021. Disponível em livre acesso em: https://www.uece.br/eduece/wp-content/uploads/sites/88/2021/12/Ebook-Cole%C3%A7%C3%A3o-Pr%C3%A1ticas-Educativas-A-borboleta-cuidamor-ambiental-Finalizado.pdf Acesso em: 12 mar. 2025.

GAUTHIER, Jacques Moendy. Sociopoética e contracolonialidade – relatos de pesquisas e diálogos teóricos com Ailton Krenak, Antônio Bispo dos Santos (Nêgo Bispo) e alguns filósofos de tradição ocidental. São Paulo, Editora Dialética, 2024.

JAMES, William. Ensaios de empirismo radical. São Paulo: Machado Editora, 2022.

MATIAS FLEURI, R.; ROBERTO MORAES CORRÊA, S.; COSTA SILVA, M. Educação Popular e o Bem Viver: da luta contra o autoritarismo ao Viver em Plenitude. Revista Cocar, [S. l.], n. 30, 2024. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/8685 . Acesso em: 5 mar. 2025.

MATIAS FLEURI, Reinaldo; MORAES CORRÊA, Sérgio Roberto; COSTA SILVA, Miguel. Educação Popular: O Bem Viver desconstrói a colonialidade. Revista Cocar, [S. l.], v. 22, n. 40, 2025. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/9789 . Acesso em: 5 mar. 2025.

MELIÀ, Bartomeu. A terra sem mal dos Guarani. Revista de Antropologia, São Paulo, v. 33, n. 1, p. 36-43, 1990.

NĀGĀRJUNA. Stances du milieu par excellence. Tradução de Guy Bugault. Paris: Gallimard, 2002.

PRIGOGINE, Ilya. O Fim das certezas - Tempo, caos e as leis da Natureza. São Paulo: Ed. UNESP, 2004.

SAMANIEGO, Cristiana. NHOMPOE’A POPYGUA: Guia do Professor. Cristiana Samaniego (coord.); tradução: Marco Antônio Oliveira da Silva. Palhoça (SC): Edição do autor, 2024.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Metafísicas canibais. Elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Ubu Ed./PISEAGRAMA, 2018.

WALSH, Catherine. Pedagogías decoloniales. Prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Ediciones Abya-Yala, 2013.

WERÁ, Kaká. Tekoá: Uma Arte Milenar Indígena para o Bem Viver. Rio de Janeiro: BestSeller, 2024.

ZARALLO VALDÉS, Carlo; MATIAS FLEURI, Reinaldo. Da violência colonial à reexistência ancestral: um diálogo entre sentipensadores do Bem Viver. Revista Cocar, Edição Especial, n. 24, p. 1-23, 2024.

Téléchargements

Publié-e

2025-12-29

Comment citer

FLEURI, Reinaldo Matias; GAUTHIER, Jacques Moendy.
Pedagogias Ancestrais para o Bem Viver: uma tecitura transcultural sociopoética
. Revista Educação e Emancipação, v. 18, p. e–26316, 29 déc. 2025 Disponível em: https://cajapio.ufma.br/index.php/reducacaoemancipacao/article/view/26316. Acesso em: 13 mars 2026.

Numéro

Rubrique

Dossiê Temático